O que é, pois, a sinceridade do amor se não um oceano de possibilidades, das mais turbulentas as mais incrivelmente aspirantes de calmaria? É isso que eu vivo.
Descobri que amar é muito mais fácil do que imaginei, mesmo que, atrelado ao nobre sentimento primordial, meio que implícitamente e por conseguinte, tenhamos o sofrimento, a dor e, acima de tudo, a dependência.
Descobri que esse amor se alimenta do meu sofrimento, e minha felicidade o faz sofrer. A amizade, para mim, sempre foi um sentimento adverso. Eu me encontrava quando a perdia, e me perdia quando a encontrava. E o pior é eu estava consciente de tudo isso, da angústia, da dor que esse sentimento estava (muito embora ainda tenha sensação que está) gerando em mim. Mas hoje sei que é essa angústia e essa dor, contudo, é o que fazem com que eu me sinta vivo.
O que ocorria, na realidade, é que eu precisava de alguém que precisava de mim, mesmo que para me fazer sofrer.
Sozinho não existe dor... Mas não há sentido em nada!
A amizade, e o amor implícito nele, nos deu uma simples, porém crucial questão...
O que preferimos? A dor ou o nada?
Pra viver tudo isso, preferi a dor...
São Luis, 24 de maio de 2010
(a) Emannuel Morais
Hipóteses de Amor
É Permitido Transgredir!
"O que não é proibido é permitido"
Esta grande frase pronunciada pelo instrutor da auto-escola na qual estou fazendo meu curso de formação de condutores, apesar de bem óbvia (pra não dizer idiota) me fez pensar sobre a permissividade a que o ser humano, por processos sociais, se deixou submeter.
É assutador pensar que mesmo que saiba se ro fato incorreto de se executar, se não "esfregarem" isso na nossa cara, nós o executamos. Atitudes tão simples, mas que preferimos burlar, por ser isto supostamente mais cômodo.
Sinceramente as vezes desconfio desse nosso conceito de comodidade. Acho que o desrespeito as regras está mais intrinsicamente ligado ao prazer de se sentir um infrator do que necessariamente pelas noções do conforto.
Certa vez ouvi de um amigo dizer que o "escondido é mais gostoso". Discordo desta idéia. Não vejo sentido em, por exemplo, amar sem poder assumir ao mundo isso. Acho que isso também parte de opniões individuais. Francamente não vejo graça. Mas o coletivo pensa assim, e a massa é soberana sobre o grão de trigo.
A sociedade já está em processo tão avançado de inversão de valores que faz-se o proibido por questões também de auto-afirmação. Fazer o que não se pode detona no cérebro uma enorme sensação de superioridade e poder sem os quais a humanidade atual não sobreviveria. Talvez aí esteja mais uma ramificação da raiz dos males da humanidade. Talvez este seja dos ramos mais difíceis de cortar.
Quem sabe a partir do momento em que sejamos capazes de perceber que nem tudo que não é proibido seja permitido, possamos enfim romper com o ultimo elo que liga o homo sapiens ao restante dos primatas.
Postulado a cerca da amizade!
Já temo aonde isso vai nos levar. Por mais que eu saiba que de mim mesmo esse "aonde", se comparado ao seu, não chega nem a esquina.
Cá estou eu, contemplando a avidez do mundo em não aceitar que o amor pode ser desprovido de malícias, e que a esse fenômeno damos o nome de amizade.
Amizade, segundo minhas humildes convicções, é um estágio avançado (pra não dizer evoluido) do amor que não se reflete em consequências palpáveis, mas espelha-se na simplicidade dos fatos.
Amizade, portanto, não vincula para si mesmo a fragilidade de um relacionamento amoroso físico, um namoro. A amizade é inquebrável em suas verdades, uma vez que para que ela seja reconhecidamente verdadeira não existe mentira entre os relacionados.
É coletivamente egoísta e "egoistamente" coletiva. Faz tratar a cada amigo como a única pessoa do mundo, mesmo que eles estejam em grupo. É sorrateiramente paternal e escancaradamente parceira. É simplesmente a prática in loco do amor.
Pra onde isso vai nos levar? Não sei. Mas assim vou eu, em minhas incursões por este campo. Vivendo, sorrindo, chorando... Sempre caminhando. Descobrindo, revelando que amo muito mais do que penso que amo. Vivendo o inenarrável amor amigo. Descobrindo (ou deixando que descubram em mim) mas desse amor, que sinceramente, pensava não possuir.
São Luis, 14 de maio de 2010.
(a) Emannuel Morais.